Teixeira de Freitas: Na manhã desta terça-feira (14 de abril), a Polícia Federal deflagrou a Operação Colligatio (termo em latim que significa “união” ou “ligação”, em referência à suspeita de conexão ilícita entre política e crime organizado) para investigar o ex-deputado estadual e candidato à Prefeitura de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior. Ele é apontado como peça central de um esquema que envolveria articulação com lideranças de facções criminosas que atuam no sul da Bahia.
De acordo com a PF, há indícios de que o político teria buscado apoio direto de integrantes da Facção Gueto – que age dentro do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas – e do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo que domina o Presídio de Eunápolis. A suspeita é que essa aliança teria como único objetivo garantir vantagem indevida no pleito municipal de 2024, possivelmente mediante promessas de benefícios a detentos ou familiares, ou até mesmo interferência na gestão prisional caso eleito.
As investigações tiveram origem a partir de informações encaminhidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Segundo os órgãos, os primeiros elementos apontaram para contatos reiterados entre o candidato e detentos custodiados em unidades prisionais do estado, registrados por meio de escutas autorizadas judicialmente e monitoramento de visitas.
Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nas cidades de Teixeira de Freitas e Salvador. Entre os materiais procurados estão celulares, notebooks, tablets, dispositivos de armazenamento externo, documentos físicos e digitais, além de veículos de luxo que já teriam sido apreendidos, segundo apuração da reportagem. A PF também recolheu anotações manuscritas, agendas e possíveis comprovantes de transferências financeiras atípicas.
Além de Uldurico Júnior, um dos alvos da operação seria um ex-diretor de uma das unidades prisionais citadas, suspeito de atuar como facilitador dos contatos entre o político e os líderes das facções. O nome dele não foi divulgado oficialmente, mas fontes da investigação indicam que ele já respondeu a processos administrativos internos por desvio de função.
Caso as suspeitas sejam confirmadas ao fim do inquérito, os envolvidos poderão responder por um conjunto de crimes previstos no Código Penal e na Lei Eleitoral, incluindo:
· Corrupção eleitoral (art. 299 do Código Eleitoral – oferecer vantagem a eleitor para obter voto)
· Organização criminosa (Lei 12.850/2013)
· Corrupção ativa (art. 333 do Código Penal – oferecer vantagem a funcionário público)
· Corrupção passiva (art. 317 – para agentes públicos eventualmente envolvidos)
· Associação para o tráfico (caso haja vinculação com o tráfico de drogas dentro das facções)
A operação corre sob sigilo judicial, e novas informações poderão ser divulgadas somente com o avanço das diligências ou em caso de novas prisões. Nossa equipe apurou que, além dos materiais já apreendidos, a PF requisitou dados bancários e fiscais sigilosos do ex-deputado referentes aos últimos dois anos, para rastrear possível financiamento ilícito da campanha.
A Polícia Federal informou, em nota oficial, que “as diligências seguem em andamento e que o material apreendido passará por perícia aprofundada”. Também destacou que “a operação Colligatio representa um marco no combate à infiltração do crime organizado nas eleições municipais da Bahia”.
Por: Rafael Vedra/Liberdadenews
