MP apura possível irregularidade na venda de área da antiga Praça João Pinheiro, em Nanuque

 MP apura possível irregularidade na venda de área da antiga Praça João Pinheiro, em Nanuque

Investigação do Ministério Público apura a destinação de área pública repassada à CEMIG pela Lei Municipal nº 491/1970

Por: EM TEMPO
A2ª Promotoria de Justiça de Nanuque instaurou a Notícia de Fato nº 02.16.0443.0411984/2026-26 para apurar possível irregularidade na alienação de uma área localizada no Centro da cidade, onde funcionava a antiga Praça João Pinheiro.
A investigação teve início após representação encaminhada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que questiona a venda do imóvel pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Segundo a denúncia, a área teria sido transferida pelo Município de Nanuque à empresa por meio da Lei Municipal nº 491, de 1970, com destinação específica para a implantação e manutenção de serviços de energia elétrica.

O principal questionamento é que, caso o imóvel não esteja mais sendo utilizado para a finalidade prevista na legislação que autorizou sua transferência, o Município deveria ter adotado medidas para reaver a área ou promover sua adequada destinação, observando os princípios que regem a administração pública.

MP apura possível irregularidade na venda de área da antiga Praça João Pinheiro, em Nanuque

Área que foi praça e margeia o Rio Mucuri, será analisada pelo MP – Imagem: Google/maps

A representação também sustenta que não há notícia da edição de lei municipal de desafetação autorizando a alteração da natureza jurídica do imóvel, requisito que poderá ser analisado pelo Ministério Público durante a apuração dos fatos.

Outro aspecto apontado diz respeito à localização da área, situada às margens da margem direita do Rio Mucuri, na região central de Nanuque. De acordo com a denúncia, o imóvel pode estar inserido em Área de Preservação Permanente (APP), circunstância que também deverá ser objeto de análise pelos órgãos competentes, caso confirmada.

O Jornal EM TEMPO publicou, ao longo dos últimos anos, diversas reportagens alertando sobre a possibilidade de alienação da área e os reflexos da medida para o patrimônio público municipal. Nas publicações, o veículo chamou a atenção para a necessidade de manifestação do Poder Público diante da situação, sem que, segundo o jornal, fossem adotadas providências efetivas.

Com a instauração da Notícia de Fato, o Ministério Público dará início à coleta de informações e documentos para verificar a regularidade da transferência do imóvel, sua atual destinação, a observância da legislação patrimonial e ambiental e a eventual necessidade de adoção de medidas administrativas ou judiciais.

A apuração ainda está em fase inicial e não representa conclusão sobre a existência de irregularidades. Ao final do procedimento, o Ministério Público poderá promover o arquivamento da Notícia de Fato, caso não identifique ilegalidades, ou adotar as medidas cabíveis se verificar elementos que indiquem eventual violação à legislação.

A reportagem acompanhará o andamento do procedimento e buscará posicionamento da CEMIG e da Prefeitura de Nanuque sobre os fatos apurados pelo Ministério Público.

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