Juiz com reclamações de conduta tem efetivação no cargo suspensa

 Juiz com reclamações de conduta tem efetivação no cargo suspensa

Tribunal entendeu que, ao fim do estágio probatório, Hauny Diniz precisa aguardar conclusão de processos disciplinares

O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) decidiu, nesta quarta-feira (23), suspender a efetivação no cargo do juiz Hauny Rodrigues Diniz, que responde a processos por suposto “mau comportamento funcional”. A deliberação ocorreu ao fim do período de dois anos de estágio probatório, encerrado no último dia 3 de julho.

A situação de Hauny Diniz foi avaliada após sindicância conduzida em junho por uma comissão formada por três magistrados. O relatório da comissão recomendava o arquivamento do processo, por não ter sido constatada infração aos deveres funcionais. O parecer foi lido em plenário pelo corregedor-geral do TJAP, desembargador João Lages. O desembargador opinou pela efetivação, mas acresentou que o processo disciplinar continua em curso e que o juiz ainda deverá apresentar defesa prévia.

— Como não houve proposta de exoneração entre 3 de julho de 2023 (data da posse) e 3 de julho de 2025 (fim do estágio), não se demonstra cabível qualquer discussão relativa à incompatibilidade do magistrado com a função pública neste momento, sem prejuízo de que a corregedoria apure — afirmou Lages.

Divergência e decisão
Contudo, o presidente do TJAP, desembargador Jayme Henrique Ferreira, divergiu da posição do corregedor e citou a Constituição Federal e a Lei Orgânica da Magistratura para defender que a existência de dúvidas sobre a conduta já justifica a suspensão da efetivação do juiz.

— A estabilidade exige manifestação positiva do tribunal quanto à conveniência e oportunidade de permanência na carreira. A simples existência de apuração disciplinar é suficiente para suspender a confirmação na carreira do magistrado — sustentou o presidente.

Audiência onde promotor foi destrarado e advogado teve a palavra cassada

O voto de Jayme Henrique foi acompanhado pelos demais desembargadores, resultando na suspensão do processo de vitaliciamento.

Histórico de reclamações
Hauny Diniz responde a dois processos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em janeiro deste ano, foi transferido para a comarca de Oiapoque, a 590 km de Macapá, após uma audiência tumultuada na Vara do Tribunal do Júri da capital. Durante a sessão, ele teria destratado o promotor Benjamin Lax e cerceado a atuação do advogado de defesa, Renato Nery.

Segundo relatos, o promotor demonstrou preocupação com a presença de uma criança em audiência que tratava de crime violento. Diniz, no entanto, interrompeu o representante do MP afirmando que ele não era responsável pela sala de audiência.

Mais adiante, ao entender que o advogado argumentava com uma testemunha, o magistrado cassou a palavra do defensor. Quando o advogado solicitou que o gesto do juiz fosse registrado em ata, teve a palavra novamente indeferida de forma definitiva.

Com a decisão desta quarta, o juiz continuará no cargo, mas sua efetivação na magistratura dependerá do desfecho dos processos disciplinares em andamento. Apesar do risco de ser demitido, a produtividade do juiz foi considerada satisfatória com número considerável de julgamentos e audiências. Outros cinco juízes receberam o vitaliciamento na sessão de hoje.

Seles Nafes

Fonte: https://selesnafes.com/

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