Como funcionam as IAs desenvolvidas pelo TCE para fiscalizar licitações em Minas Gerais

 Como funcionam as IAs desenvolvidas pelo TCE para fiscalizar licitações em Minas Gerais

As ferramentas foram desenvolvidas pelo próprio TCE-MG. Foto: Divulgação/TCE

Somente em 2025, Solaris e Apolo já analisaram e ajudaram a corrigir mais de R$ 8,1 bilhões em editais

Dois robôs criados pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) já analisaram e ajudaram a corrigir editais que, juntos, somavam mais de R$ 8,1 bilhões somente em 2025. A atuação preventiva de Solaris e Apolo, como foram batizados os sistemas, serve para apontar eventuais problemas como direcionamentos licitatórios, sobrepreços, compras incompatíveis e outras falhas que podem gerar desperdício de recursos.

Desenvolvidos pelo próprio Tribunal com base no Alice, robô da Controladoria-Geral da União (CGU), as ferramentas foram customizadas para a realidade mineira. O Solaris vasculha editais em geral, enquanto o Apolo é voltado à análise técnica de planilhas orçamentárias de obras e serviços de engenharia.

De acordo com o diretor de fiscalização integrada e inteligência do TCE (Suricato), Pedro Henrique Magalhães Azevedo, os robôs atuam como apoio aos auditores externos.

“Eles enviam alertas indicando possíveis problemas, que são analisados pelos servidores. A atuação humana é fundamental após o trabalho das ferramentas”, afirma.

Apolo

O Apolo examinou R$ 7 bilhões em licitações de obras e encontrou erros em R$ 5,8 bilhões, resultando em 61 alertas a prefeituras, consórcios e órgãos estaduais. Em quase 90% dos casos, os gestores fizeram correções, revogaram, anularam ou justificaram os editais, representando benefício direto de R$ 117 milhões aos cofres públicos, segundo cálculos do TCE.

Solaris

Já o Solaris, focado em editais de compras e concursos, analisou mais de 80 mil editais e gerou mais de 14 mil alertas automáticos no primeiro semestre. Foram oficiados 301 editais com potenciais irregularidades, que somam R$ 2,3 bilhões.

Montezuma

Em Montezuma, no Norte de Minas, um edital da prefeitura previa a compra de R$ 4,3 milhões em bebidas alcoólicas, o equivalente a 7% de toda a receita municipal. Após alerta do Solaris, o TCE suspendeu a licitação. Em outro município com menos de 5 mil habitantes, uma compra pública foi cancelada após a identificação de pedidos desproporcionais, como mais de 2 mil cadeiras, tablets, TVs e dezenas de eletrodomésticos.

Fonte: https://ofator.com.br/

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