Segundo o executivo, os novos investimentos anunciados — com foco especialmente na produção de etanol de grãos — devem estimular o consumo interno, levando o combustível renovável a novas regiões do país. No entanto, ele fez um alerta sobre a possibilidade de sobreoferta.
“Etanol tem mercado, mas é preciso conquistá-lo”
O presidente executivo da Siamig Bioenergia e também da Bioenergia Brasil, Mário Campos Filho, apontou o risco de produção acima da demanda, mas demonstrou otimismo com o potencial do setor.
“Tenho uma preocupação com a sobreoferta. Mas nesses mais de 20 anos defendendo o setor, aprendi que o maior problema é não ter mercado. O etanol tem mercado”, afirmou.
Mário Campos Filho, presidente da SIAMIG e da Bioenergia Brasil – Foto: Diviulgação
Segundo ele, os novos projetos devem ampliar o consumo interno, levando o combustível renovável para novas regiões do país. Ao mesmo tempo, Campos destacou a importância de expandir a presença internacional do Brasil em segmentos emergentes como o biometano, o SAF (combustível sustentável de aviação) e o biobunker, usado na navegação.
“Temos que colocar o Brasil como um hub para exportação de SAF”, defendeu.
Campos também observou que a demanda externa por biocombustíveis tem crescido, com vários países adotando mandatos obrigatórios de mistura de renováveis em combustíveis fósseis. Nesse cenário, ele alertou para a necessidade de agilidade do Brasil frente à concorrência internacional.
“Se a ‘super demanda’ não vier rápido, nós vamos precisar concorrer com os americanos na exportação de etanol; e estamos atrasados nessa disputa”, afirmou, citando o esforço dos Estados Unidos em abrir mercados e consolidar parcerias no setor.
O discurso foi reforçado por Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica). “Nós estamos falando de uma maior oferta, mas também vamos ter mais competidores. Há uma perspectiva positiva, mas o setor precisa continuar sendo eficiente”, pontuou.
A Conferência NovaCana 2025 reúne líderes e especialistas do setor sucroenergético para discutir os rumos da bioenergia no Brasil e no mundo. A expectativa é que a produção nacional de etanol ganhe protagonismo na transição energética global, desde que o país consiga garantir competitividade, ampliar mercados e manter a eficiência produtiva.
Imagem capa: Brasilagro.com.br







