Escândalo dos Cachês Milionários na Bahia: Investigação Aponta para Esquema de Superfaturamento e Lesão a Artistas no Extremo Sul
Teixeira de Freitas: Uma ampla investigação jornalítica está desvendando o que as autoridades chamam de uma verdadeira “engrenagem” montada para o desvio de verbas públicas estaduais. O cerne da denúncia foca no superfaturamento de contratos de pequenas e médias bandas por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur).
Estima-se que apenas quatro produtoras tenham concentrado a maior parte dos eventos públicos festivos, movimentando cerca de R$ 58 milhões entre 2023 e 2025. O Ministério Público da Bahia investiga crimes de improbidade administrativa, lavagem de dinheiro, associação criminosa e enriquecimento ilícito.
Áudios e Vídeos Revelam a “Engrenagem” e a Lesão aos Artistas
As reportagens especiais — divididas em eixos que detalham a estrutura do esquema, o caminho do dinheiro e os seus beneficiários — ganharam sustentação crucial após o vazamento e a análise de áudios e vídeos exclusivos. Nas gravações de conversas telefônicas e mensagens de voz, fica evidente o abismo entre os valores de mercado e os praticados com o poder público. Enquanto produtores negociam apresentações particulares por valores modestos (como shows fechados por R$ 2.500 ou R$ 8.000), as notas fiscais emitidas e pagas pela Sufotur registram cifras astronômicas, superando os R$ 47 mil e R$ 71 mil por show.

O material audiovisual traz ainda relatos chocantes de músicos e pequenos artistas locais da periferia. Em depoimentos e desabafos nas redes sociais, os integrantes das bandas revelam que foram profundamente lesados: trabalharam nas festividades, mas receberam apenas uma fração mínima do cachê — ou, em muitos casos, não receberam absolutamente nada —, enquanto as produtoras embolsavam os valores excedentes repassados pelo Estado.
Denúncia na Rádio Livre FM: O Envolvimento de Dois Secretários
O caso ganhou contornos ainda mais graves após a denúncia veemente feita pelo jornalista Edvaldo Alves, no Jornal Liberdade da Rádio Livre FM 105,9. Com base nos relatórios de controle e nos desabafos dos próprios artistas, Edvaldo Alves cobrou uma postura rígida das autoridades e prefeitos da região em relação aos articuladores da estrutura na porção Extremo Sul do estado.
As investigações e os áudios apontam o envolvimento direto de dois secretários municipais que atuam na região:

* Marx Tairo Pereira Salles (conhecido como Tairo): Secretário no município de Medeiros Neto e apontado formalmente como um dos sócios da empresa Usina Mixx Ltda.
* David Loyola: Secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Teixeira de Freitas, apontado por testemunhas e prestadores de serviço como o verdadeiro articulador e “dono” de fato da Usina Mixx, embora seu nome não conste no contrato social.

Nota de Isenção das Administrações Municipais:
É estritamente importante ressaltar que, conforme apontado pelas apurações jornalísticas e pelo próprio repórter Edvaldo Alves, as Prefeituras Municipais de Teixeira de Freitas e de Medeiros Neto não possuem qualquer envolvimento ou vinculação com o esquema. As fraudes e os desvios de recursos ocorreram no âmbito dos contratos celebrados diretamente com a Sufotur, órgão do Governo do Estado da Bahia.
Conexões Políticas e Defesas
A pressão política sobre o caso acentuou-se devido aos laços familiares dos envolvidos: David Loyola é irmão de Adolpho Loyola, chefe de Relações Institucionais do Governo da Bahia e figura central da gestão do governador Jerônimo Rodrigues. Até o momento, não há condenação judicial definitiva e os procedimentos correm em segredo de justiça. Em contato com a reportagem, David Loyola negou veementemente qualquer participação em esquemas fraudulentos ou superfaturamento. Marx Tairo e outros sócios da Usina Mixx não foram localizados para esclarecimentos.
A Sufotur, em nota, afirmou que adota rígidos critérios de controle interno e transparência, mantendo-se à disposição dos órgãos fiscalizadores. Já o ex-superintendente do órgão, Diogo Medrado — que geriu a autarquia durante o período de várias contratações sob suspeita —, declarou que todos os contratos seguiram estritamente a legislação de inexigibilidade vigente à época e passaram por aval técnico e jurídico.

Por: Edvaldo Alves e Rafael Vedra/Liberdadenews
